Por Veronica Ahrens, Head of Team Bulding, Cegoc
Vivemos numa era marcada por transformações profundas e aceleradas. A rapidez com que se sucedem mudanças económicas, sociais e tecnológicas tem resultado num ambiente organizacional cada vez mais intrincado, caracterizado pela interdependência de múltiplos fatores e pela imprevisibilidade dos seus efeitos.
De acordo com um estudo da Economist Intelligence Unit, 55% dos executivos considera as suas organizações como altamente ou extremamente complexas. Além disso, 44% refere que essa circunstância dificulta a execução eficiente das suas atividades diárias.
Este novo contexto tem um impacto direto na liderança, que se vê confrontada com desafios de elevada exigência. Do ponto de vista económico, a instabilidade global, a escassez de recursos e a crescente interligação dos mercados impõem uma busca contínua por inovação. Em termos sociais, a convivência de diferentes gerações no local de trabalho, combinada com uma crescente diversidade étnica e de género, eleva a necessidade de culturas organizacionais mais inclusivas. A par disso, a crescente consciência ambiental e social obriga as empresas a tornarem-se mais sustentáveis e orientadas por propósito.
No domínio tecnológico, a digitalização e a adoção a passos largos da inteligência artificial transformaram os modelos tradicionais de trabalho, o que exige novas formas de liderar num ambiente remoto, bem como a gestão do impacto da automação no capital humano, sem esquecer a necessidade de conseguir lidar diariamente em torno de um excesso de informação.
Neste cenário, liderar exige uma abordagem mais humana, adaptativa e estratégica. É requerido aos líderes a capacidade de se reinventarem, com a criação de condições para que as suas equipas prosperem nesses contextos. Neste artigo, destaco várias estratégias fundamentais para uma liderança eficaz em ambientes desafiantes:
Criar um ambiente de segurança psicológica:
Num contexto de elevada complexidade, o líder deixa de ser o único detentor das respostas. Promover um espaço onde os colaboradores se sintam livres para expressar ideias, dúvidas e emoções é essencial para potenciar a inteligência coletiva e a colaboração genuína. O sentido de pertença e a empatia continuam a ser pilares de uma cultura de alto desempenho.
Desenvolver uma cultura de adaptação
As mudanças deixaram de ser episódicas para se tornarem permanentes. O papel do líder passa por preparar as equipas para lidar com a frustração, aprender com os contratempos e transformar adversidades em oportunidades de evolução.
Estimular a inovação e o pensamento crítico
Ambientes seguros encorajam a experimentação e a aprendizagem através do erro. Quando acolhido de forma construtiva, o erro torna-se num catalisador para soluções mais eficazes e diferenciadoras.
Fomentar equipas autónomas e interdisciplinares
Liderar com agilidade significa capacitar as equipas para assumirem responsabilidades, tomarem decisões e colaborarem de forma transversal. A liderança deixa de ser centralizadora para se tornar facilitadora.
Integrar tecnologia e IA de forma ética e estratégica
A liderança deve compreender o potencial das novas tecnologias e incorporá-las de forma crítica e responsável, sem perder de vista a dimensão humana. Automatizar processos e adotar ferramentas digitais deve ter como fim libertar tempo e recursos para atividades de maior valor acrescentado.
Alinhar o negócio com a sustentabilidade e o propósito
Mais do que gerar lucro, as organizações são hoje chamadas a criar valor social e ambiental. Os líderes devem construir uma visão inspiradora, que mobilize as equipas e posicione a empresa como um agente de impacto positivo, sem comprometer a sua viabilidade económica.
Adotar uma postura de aprendizagem contínua
Liderar em ambientes complexos exige desenvolvimento constante, seja através da aquisição de novas competências, da reflexão sobre a prática ou da escuta ativa das equipas. Com isso permite à liderança responder de forma ágil, tomar decisões mais informadas e antecipar desafios emergentes.
Hoje, liderar é saber navegar num mundo de difícil compreensão, onde as respostas não são lineares. Requer-se aos líderes a capacidade de lidarem com a ambiguidade e adaptar-se rapidamente a cenários de mudança. Os líderes contemporâneos devem atuar como facilitadores, mobilizando equipas, para, assim, promover confiança e articular o propósito com resultados.




